Eventos Feministas

31 julho 2010

♕Brincadeira de Menina

Construindo uma mentalidade machista

Quando eu era pequena, era louca para jogar futebol.

'A cada pedido de autorização ao meu pai, ouvia que "futebol era coisa para meninos, que as únicas mulheres que praticavam o esporte, eram as 'sapatões'".

Engraçado...não lembro da minha mãe se manifestando uma única vez diante deste absurdo. Ela apenas se calava, consentindo com a sentença paterna.


 Eu vivia dentro de casa,e minha brincadeira favorita era dar voz 'as bonecas Barbies que eu ganhava de meus pais aos montes, encenando uma vida futura que incluiria um marido, filhos , futilidades e muito trabalho.

Nos finais-de-semana, ouvia o grito e as risadas de outras crianças, que corriam na rua,com inteira liberdade,  em geral meninos,não sem  certa inveja...

'As vezes meus pais permitiam que eu me sentasse em uma cadeira na calçada e observasse a rua e as pessoas que por ali passavam. Acho que a intenção era para que eu tomasse um sol, não sei! Rssrsss...

O que sei é que me lembro de me sentir uma enorme porcaria, sentada naquela cadeira, com uma pranchetinha na mão, fazendo meus desenhos, e fingindo que ignorava a alegria alheia.

Não desenvolvi nenhum talento relacionado a  esportes, e também nunca entendi tamanha diferença no tratamento entre meninas e meninos.

Aos oito anos deixei de ser filha única, e mamãe ganhou um filho homem.

Então assisti espantada meu irmão já aos três anos ficar "solto" na rua, correndo em sua "bike", deslizando em seu skate, praticando judô, capoeira, e todas as artes marciais possíveis.Todas que sentia vontade de praticar.Porque homens devem exercer a competição,por este motivo suas brincadeiras são tão mais interessantes.

É isso? E nós, quais os estímulos que recebemos em nossas brincadeiras?

 Eu fui uma criança-modelo...Me comportava exatamente como se esperava para uma menina.

 Por motivos óbvios (a falta de uma maior interação social?), me tornei bastante tímida (quase-quase de forma doentia); era boa aluna também, com a "letra redondinha", que sempre foi motivo de orgulho para  meus pais.

 De forma estranha minha mãe sempre me poupou de serviços domésticos (ela sempre fez todo o serviço, com perfeição e obsessão estranha, que sempre me incomodou).

 Porque parecia um recado subliminar e ambíguo, já que ela dizia que eu não precisaria realizar este trabalho no futuro, pois estudaria e pagaria alguém para fazer.Acaso ela não era feliz com a vida que tinha?

 Lembro de uma proibição que me irritava demais...
As vezes.. muitas vezes aliás, ao dar uma gargalhada faziam um SSHHHHHH...porque mulheres "decentes" não riem tão alto.

 Aprendi. E até hoje me surpreendo com o poder daquele ruído castrador que meus queridos pais  emitiam, porque mesmo agora, quando rio, "ainda me questiono" se o som que saiu da minha boca soou discreto ou não...
Detalhe: minha voz é "tão pequena", eu falo tão baixinho,que custa alguém entender o que falei em uma primeira "ouvida".

O que você quer sendo quando crescer
década a década.
 E todos nós, mesmo nesses tempos "pós-modernos" ,vemos  a liberdade diferenciada que as crianças recebem ,dependendo do sexo que possuem. E eu não entendo o porquê.Não mesmo.

 Por acaso homens e mulheres não estão expostos aos mesmos perigos? E  quando crescerem, não realizarão basicamente os mesmos papéis (na vida profissional, educacional, familiar, social, financeira, etc?)

 Vale a pena utilizar com nossos filhos este modelo educacional que prioriza diferenças baseadas no gênero, que ignora a individualidade, e reprime as mulheres?

Para pensar... que tipo de homens e mulheres queremos "construir"?
Que tipo de seres humanos?










12 Leitor@s:

Guilherme Lombardi disse...

Não sei se seria bom as mudanças na educação das crianças futuramente independente do gênero delas! Mas seu ponto de vista é pertinente e merece ter uma reflexão mais ampla sobre!

Sarah disse...

Não acho que tenha que ter essa diferença entre sexos. Criança precisa ser educada e saber se portar em determinados lugares, mas seu um menino gosta de pintar e a menina de jogar futebol...FODA-SE. Isso não é o que importa, o que importa é que eles sejam felizes, pintando ou jogando futebol, tanto faz. As pessoas só precisam entender que isso só prejudica a pessoa na vida adulta, porque ela vai ser uma pessoa toda controlada, cheia de preconceitos e confusões. Esse metodos tradicionais precisam ser modernizados com urgência.
Bem, é o que eu acho.
Beijinhos..

Natacha Domingues disse...

Obrigada pelos comentários.
Sabe...
O problema é que o preconceito e toda a repressão foi criada por homens...mas já mudou de sexo há muito tempo!

Pedro disse...

Seus pais eram estranhos, credo.

Aqui em casa não tem isso, eu e minha irmão somos tratados igualmente, eu até lavo a louça.


=)

Amanda disse...

Caramba, minha educação foi parecida com a tua, desde criança eu sempre gostei de esportes principalmente de futebol e skate. Lembro que toda vez que eu ficava vendo futebol com meu pai, meus familiares me chamavam de machinho! Eu ficava com muita raiva...
ai eu cresci e graças a Deus não trouxe esses preconceitos pra minha adolescência. Comecei a jogar futebol (mesmo contra vontade dos meus pais), e a andar de skate (meu até gosta, minha mãe não). Infelizmente por causa do tempo não to podendo jogar futebol, mas o skate esse é pra sempre :D
Acho um absurdo essa diferença na educação de acordo com o sexo, por causa de ser sempre a menininha quietinha quando criança, fiquei super tímida, fechada e falo muito baixo.
Devido ao futebol e ao skate fui perdendo um pouco a timidez mais ainda tenho.
Acho que devemos deixar nossas crianças fazerem o que quiserem para que não sejam frustradas no futuro, afinal, quem foi que disse que sexo determina o que você tem que fazer??

Jeh Pagliai disse...

Acho que, no mundo que hoje vivemos, não existe mais lugar para o machismo. Mas infelizmente, ainda o vemos por ai...

A mulher já saiu de casa, já conquistou seu espaço, o que precisa mais acontecer para esse preconceito "besta" acabar?

Beijinhos

---
www.jehjeh.com

@iamvictor_ disse...

Acho que cada um tem um ponto de vista e um modo de educar diferente.

DOWNLOAD ROCK NACIONAL disse...

seu blog tem conteudo mas esse layout aew fica devendo...
mas ta favoritado aqui...e tow seguindo
vou passar sempre por aqui....xd
segui o meu tb... retribui lá ???
http://www.pojucaonline.com.br/
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Natacha Domingues disse...

Valeu pela dica, Download!Também tô te seguindo...Abraço.

http://doquequiserfalar.blogspot.com/ disse...

Enfim, vamos por partes... A distinção de brincadeiras, roupas e cores de gênero ainda hoje é algo bastante injetado nas nossas crianças por parte de suas famílias, normalmente as de modelo tradicional (pai, mãe, filhos), porém seus pais realmente são extremistas. A minha família também segue o modelinho, mas eu jogava bola na rua e quebrava a casa toda com o skate de meu irmão, minha mãe nunca gostou muito dessas coisas, mas talvez ela entedesse que crianças não são pra serem tão podadas. Segundo ponto, talvez você tenha errado em não se impor pra sua família, falar das suas vontade e espernear por elas. Terceiro ponto, e agora discordo plenamente de você: Não, homens e mulheres (meninos e meninas) não estão sujeitos as mesmas violências, justamente por vivermos em um mundo que se fez aos moldes machistas, um exemplo é violência sexual, a proporção de mulheres pra homens que sofreram desse mal é de quase 50 pra 1, e não acho que esse seja um motivo pra prendermos nossas meninas, nas salas de casa com suas bonequinhas Barbies, e por sinal que desgraça é a Barbie, meu pai eh consciente em algumas coisas, nunca me deu uma, nunca darei pra minha filha, a bonequinha que ensina às meninas os bons modos, o jeito de se vertir, de se comportar, de tratar seus maridos, de ter sucesso profissional e ainda sim ser uma boa dona de casa. Última observação, o comportamento da sua mãe é perfeitamente compreensível, e tiro isso pela minha minha própria mãe, que dedicou a vida inteira a um marido e a dois filhos, que hoje não são como ela queria que fossem, meu pai é frio por natureza msm, totalmente moralista mas sabemos que ele não é nenhum santo, meu irmão eh outro que pinta de bom moço e é um porra louca, eu? rsrs, como diz a minha mãe, tudo que eh "errado" na vida eu acho que é "certo"... Fico triste, porque sei que hoje ela duvida se a vida dela valeu a pena. Não a culpo, foi assim que ela foi ensinada, por isso me passou a cartilha, nós dessa geração "pós-moderna" que nos criamos nas ruas, com os coleguinhas, nós que adotamos os nosso valores, e passaremos pros nossos filhos, e se daqui a uns anos eles tentarem nos convencer que tudo isso que você ou eu falamos tá errado?
O conselho, viva do jeito que você quiser, faça o que quiser, responsabilidade é bom, compreesão pra seus "velhos" também...
Fica o recado. Tô fã do seu blog, rsrs

P.S.: Nossa! Falei pra caralho da minha vida, rsrsrs.

Natacha Domingues disse...

Nane...Obrigada pelo comentário,"ADOOOOOOORO"!
E concordo com vc...meninos, ou meninas, precisam aprender a ter responsabilidade, mas ter o mínimo de liberdade que seja..para se desenvolverem...
Abraço!

O Burro que chora disse...

Estamos sentindo sua falta...
Tudo bem?

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